domingo, 15 de novembro de 2009

As Mentiras do "Pacote Yeda"

A visão do CPERS
O PACOTE DE MENTIRAS E ATAQUES DE YEDA

Apesar de não ter apresentado ainda a versão escrita e final de seu projeto, já é possível identificar as novas mentiras e ataques incluídos no pacote do governo Yeda para o funcionalismo. Evidentemente, ainda se trata de uma análise inicial baseada nas poucas informações disponíveis na imprensa. De qualquer forma, é muito importante que em todas as escolas façamos desde já este debate para organizar uma reação imediata e a altura das ameaças que pairam sobre nossa categoria.
Para conseguir que a Assembleia Legislativa aprove as mudanças em nosso plano de carreira, o governo decidiu fazer uma campanha mentirosa de que está valorizando o funcionalismo e aumentando os salários. Vejamos abaixo algumas dessas mentiras.

MENTIRA nº1: “Aumento salarial de 57,9%”
Esta é a mais deslavada e ardilosa mentira do governo. Não há até agora nenhum projeto de reajuste salarial para a categoria. Na verdade, há três anos o governo Yeda mantém os salários congelados, sem repor a inflação e as perdas. O que o novo pacote apresenta é uma elevação do completivo para aqueles que, somando todos os vencimentos e gratificações, ainda assim ganhem menos do que R$ 750,00 (regime de 20 h). Não há nenhum índice de reajuste proposto aos educadores. A imensa maioria da categoria (85% dos educadores), que está nos níveis 5 e 6 da carreira, não deverá ganhar nenhum centavo de aumento mais uma vez!
Também é muito importante salientar que o completivo não incorpora ao salário e será descontado em todos os futuros reajustes salariais da categoria. Portanto, os poucos que viessem a recebê-lo agora com o mentiroso “pacote de bondades”, teriam ainda os seus salários congelados por longos anos.
Além disso, os funcionários de escola, que sequer receberam a Lei Britto, também são excluídos e discriminados mais uma vez pelo governo Yeda.

MENTIRA nº2: “Os direitos adquiridos serão garantidos”
No site do governo, Yeda anuncia que a adesão ao plano não é compulsória nem elimina direitos da categoria. Mais outra enganação! Com a criação de um novo plano de carreira para os futuros concursados, o governo retira de fato direitos que hoje pertencem ao conjunto dos educadores. Este é o maior ataque do governo: quer acabar com o atual plano de carreira dos educadores. Pretende colocá-lo em extinção e retirar do novo plano conquistas importantíssimas como promoções, triênios e os avanços entre os níveis. Dessa forma, o governo reduziria a massa salarial destinada à educação, economizando às custas do empobrecimento ainda maior dos educadores.
Por outro lado, a divisão da categoria e o fim da igualdade de direitos poderão significar também o congelamento de salários dos que não aderirem ao novo plano de carreira. Ou seja, todos sairão perdendo com o fim do atual plano de carreira.

MENTIRA nº3: “Piso salarial passa para R$ 1.500,00”
Quase todos os jornais ajudaram o governo a divulgar outra gigantesca mentira, a de que o salário inicial no magistério será de R$ 1,5 mil (ver capa de ZH do dia 06 de novembro). Ora, qualquer pessoa que não use de má fé sabe muito bem que “piso salarial” ou “salário inicial” referem-se ao vencimento básico de início da carreira de um trabalhador. E que sobre este valor incidirão os avanços e gratificações ao longo dos anos de sua carreira. Todo mundo compreende perfeitamente isto!
Já o governo Yeda, para manter a miséria dos trabalhadores em educação e honrar seus compromissos com o Banco Mundial, quer inventar outro conceito de piso. Quer somar todas as verbas recebidas pelo trabalhador e dizer que este é o piso (ver mentira nº1). Confunde propositalmente piso com teto, tentando passar uma ideia absolutamente mentirosa para a população sobre os salários na educação do RS.
Cabe aqui uma pergunta esclarecedora: se o piso salarial será de R$ 1,5 mil, porque o governo não retira a Ação de Inconstitucionalidade que ingressou no Supremo Tribunal Federal?

MENTIRA nº4: “Servidores irão receber 14º salário”
Com a economia prevista com o fim dos triênios e das promoções por tempo de serviço no novo plano de carreira, o governo quer instituir uma premiação por suposto mérito no desempenho funcional. Yeda anuncia com alarde essa premiação como um 14º salário, enquanto esconde as conquistas que quer retirar do conjunto da categoria. A verdade, no entanto, é outra! O próprio Secretário da Fazenda se encarrega de esclarecer: “Se o Estado não estiver equilibrado, não tem prêmio.” Portanto, o chamado 14º salário não passa de um ridículo abono com critérios incertos e suspeitos. Mais uma jogada mentirosa do governo!
Provavelmente, seguindo a lógica neoliberal do PDE do governo Lula, o governo do estado utilizará essa premiação para instituir a meritocracia e acabar com a gestão democrática e a autonomia pedagógica das escolas. Buscará substituir a solidariedade existente entre os educadores por uma competição individualista a serviço do mercado capitalista.

MENTIRA nº5: “Plano valoriza o serviço público e moderniza a gestão pública”
Bem, esta é a mais difícil de ser engolida! O governo Yeda é um dos mais corruptos da história do RS. Uma verdadeira “quadrilha criminosa” comanda o Palácio Piratini. Durante todos esses anos, os serviços públicos no RS foram dilapidados por este governo e nenhum centavo roubado foi até agora devolvido aos cofres públicos! Nenhum corrupto está preso! Uma relação de compadrio entre o governo, a Assembleia Legislativa e o Judiciário demonstra a cada dia a podridão das instituições no Estado.
Enquanto isso, os filhos dos trabalhadores encontram as escolas públicas abandonadas à própria sorte. As filas nos hospitais demonstram o total descaso com a saúde pública. E por aí vai...
Querer afirmar, como fazem os principais jornais do Estado, que Yeda está valorizando o serviço público e os servidores não passa de mentira e brincadeira de mau gosto!


CHEGA DE ATAQUES AOS NOSSOS DIREITOS!

Este pacote está para ser apresentado à Assembleia Legislativa durante esta semana. Sabemos que se depender apenas da vontade desses deputados, nossa categoria poderá perder o plano de carreira definitivamente. Portanto, é hora de irmos à luta! Precisamos construir uma grande Assembleia Geral no próximo dia 20 de novembro. Vamos lotar o Gigantinho e dar a resposta que este governo merece!



Regis Ethur e Orlando Marcelino da Silva Filho
Membros da Direção Estadual do CPERS Sindicato


Postado por Juremir Machado da Silva - 12/11/2009 11:09 Blog no Correio do Povo

sexta-feira, 13 de março de 2009

Coluna do Juremir (CP 13/03/09)

(IN)FIDELIDADE PARTIDÁRIA

Partidos são estruturas políticas do século XIX. Falidas. Boa parte dos eleitores vota mesmo é em pessoas e nada tem de errado nisso. Sou a favor de candidaturas avulsas. Sem partido. A fidelidade do candidato deve ser às ideias expressas durante a campanha ou, melhor ainda, defendidas ao longo da vida. O partido, bem entendido, funciona como um depósito das ideias com as quais o candidato estaria comprometido. Um modo didático de saber onde se insere. Ou deveria funcionar assim. Acontece que os partidos cada vez mais têm menos ideias. Ou as ideias que têm não servem para diferenciar uns dos outros. Qual é, de fato, a diferença radical entre o PMDB, o PT, o PSDB, o PTB, o PP e o Dem? O número de cargos nos governos.
A infidelidade predomina. Mesmo quando o voto é numa pessoa que não muda de partido, o comportamento infiel pode se consumar. O eleito muda de personalidade. O eleitor também é infiel. Muda de candidato e até de partido de uma eleição para outra. A estrutura partidária é apenas uma forma de curral a serviço dos coronéis da política. O voto em lista fechada, defendido por alguns, representará a porteira lacrada dessa mangueira. O melhor mesmo seria abolir os partidos e votar só em indivíduos. Precisamos de hipóteses devastadoras. A infidelidade é tamanha e tão sorrateira que pode se dar sem que haja barulho ou oficialização. É o caso do presidente da República. Faz tempo que Luiz Inácio deixou o PT. Continua, porém, sendo apoiado pelos petistas e pretende impor a candidatura de Dilma. Luiz Inácio está no PMDB. No Senado, seus principais aliados não são Mercadante, Ideli e Tião Vianna, mas Sarney, Calheiros e Collor.
A migração de Luiz Inácio para o PMDB não exigiu sequer a abertura da tal janela do motel, essa que permitirá aos infiéis saírem do armário e ir para casa, mesmo que seja a da amante. Deu-se ao natural. É possível que esteja acontecendo uma migração ainda mais extraordinária, um verdadeiro êxodo, sob o olhar indiferente de todo mundo, ficando o Mar Vermelho para trás: todo o PT estaria migrando silenciosamente para o PMDB. Muitos eleitores talvez permaneçam fiéis a um partido autêntico que já não existe. Se tivéssemos de fazer um filme com um título bem original, digamos, 'Todos os Homens do Presidente', os personagens desse título seriam: Michel Temer, Geddel Vieira, Jader Barbalho, Henrique Eduardo Alves, Fernando Diniz, Eliseu Padilha, Eunício Oliveira e Eduardo Cunha.
Alguns desses personagens já frequentaram as páginas policiais com desenvoltura. Geddel, ministro no atual governo de Luiz Inácio, brilhou como protagonista numa obra de grande realismo intitulada 'Os Anões do Orçamento'. Barbalho, no tempo em que o PT ainda estava no PT, era a besta-fera a ser combatida. Política, como diz Sarney, é conversa. Fiada. Graças à infidelidade e ao diálogo, os partidos vivem em congraçamento. PSDB e Dem fazem de conta que se opõem a isso. É questão de posição na largada. Querem liderar e não apenas integrar a base aliada. Quando chegam ao poder, tratam de se associar ao PMDB para ter com quem jogar conversa fora. Só Jarbas e Simon são fiéis até o fim. O eleitor, especialmente o petista, é um marido traído. Alguns nunca chegarão a saber. Como dizem os franceses, chapeau! Opa! Tirar (ou botar) o chapéu é um problema de (in)fidelidade.

juremir@correiodopovo.com.br

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A SOLIDÃO DA SALA DE AULA

Juremir Machado da Silva - CP 19/02/09

A SOLIDÃO DA SALA DE AULA

Prezado jornalista: meu nome é Claudete. Sou professora. Tomei conhecimento, graças a uma amiga, da carta da governadora publicada na imprensa. Confesso que chorei muito. Como é triste a solidão do poder! Eu até me lembrei de uma situação que vivi lá por outubro. Eu entrei no banheiro da escola e encontrei uma faxineira aos prantos. Tentei consolar a pobre. Ela me mostrou o contracheque dela. Comecei a chorar também. Mostrei o meu. Caímos abraçadas sobre um vaso e choramos como duas terneiras desmamadas (sou da Região da Campanha). Ficamos ali, na solidão do banheiro, sentindo cheiro de xixi e de água sanitária. Eu me sentia meio heroína de novela das 8h ou de romance do Paulo Coelho: na tampa da privada, solitárias, nós nos sentamos e choramos. Que tristeza!Fiquei com pena da governadora. Deve ser terrível a solidão num palácio. Na sala de aula, eu também me sentia muito solitária, embora, depois da 'enturmação', tivesse mais aluno que passageiro no Surb no final da tarde. Comecei a pensar num livro maravilhoso da Clarice Lispector, 'A Hora da Estrela', e, sem refletir, fui até a biblioteca da escola pegar um exemplar. Que cabeça a minha! A escola não tem biblioteca. Saí aturdida e tropecei num gari ainda mais solitário do que eu. Era um gari especial, muito culto, que me contou, sem mais nem menos, as suas leituras. Andava lendo os 'Doze Trabalhos de Hércules'. Era fanático por um desses trabalhos, quando Hércules limpou sozinho, num dia, os currais de Áugias, que não eram limpos havia 30 anos e, com seus 3 mil bois, fediam como Copacabana depois do show dos Rolling Stones (fui de ônibus para o Rio de Janeiro). O gari se via no lugar de Hércules e tinha a sua filosofia na ponta da língua: a população se comporta como os bois de Áugias. O pobre sentia-se tão solitário na sua labuta.Nada, bem entendido, que possa ser comparado à solidão de uma governadora no exercício do poder. A carta da governadora abriu um clarão na minha mente. Percebi o quanto tenho sido mesquinha e pessimista. Decidi mudar o curso da minha existência. Não vou ler mais autores cínicos como Michel Houellebecq. Nem a sua coluna, senhor jornalista. De agora em diante, serei construtiva e positiva. A minha solidão pode ser enorme, mas os meus ombros não precisam suportar a terrível carga da responsabilidade de um governante. Já imaginaram ter de conviver com tantos políticos hipócritas e, se o senador Jarbas Vasconcelos não estiver mentindo, com tantos peemedebistas em busca de cargos e com tantos petistas oportunistas!? Ainda bem que no Rio Grande do Sul tudo é diferente e até nossa corrupção é acidente de percurso. Enfim, como mulher, fiquei emocionada, tocada mesmo, sensibilizada, né?, com a autenticidade da governadora. Quanto sofrimento! Quanta melancolia! Que solidão! Até parecia García Márquez, não com cem, mas dois anos de solidão que valem quase o mesmo, faltando ainda quase dois de governo, sem contar mais quatro anos de solidão se a reeleição vier. A solidão do poder é tamanha que gera dependência, e os governantes aceitam sacrificar-se por um segundo mandato, sonhando com um terceiro. Depois da carta da governadora, juro, só vou ler 'O Pequeno Príncipe' e 'Fernão Capelo Gaivota'. Afinal, 'longe é um lugar que não existe'. Só existe a solidão do poder.

juremir@correiodopovo.com.br

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Cores da Bandeira do Brasil

Cores da Bandeira do Brasil

O que realmente significam as cores da bandeira brasileira, verde, amarelo, azul e branco.

O verde das matas, o amarelo do ouro e riquezas naturais, o azul do céu límpido e o branco da paz eterna. Isto é o que ensinam para todos nós na escola desde antes de sermos alfabetizados.

Não acreditem nisto crianças, conheçam agora a verdadeira história por trás desta combinação de cores única e um tanto estranha para bandeiras de países.
Estão vendo esta bandeira aí ao lado? Ela chamava-se Pavilhão pessoal dos príncipes reais do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, adaptada como bandeira do Reino do Brasil de setembro a dezembro de 1822. Percebem que as cores dos príncipes são Verde e amarelo?
Pois então a bandeira brasileira herdou estes elementos de cor porque verde e amarelo são homenagem à Casa Real de Bragança, da qual fazia parte o imperador D. Pedro I, e à Casa Real dos Habsburg, da imperatriz D. Leopoldina. A esfera azul corresponde ao céu do Rio de Janeiro como visto no dia 15 de novembro de 1889. Por último, a faixa branca não representa a paz e nem mesmo o Equador celeste como em algumas interpretações mas apenas um local para a inscrição da frase “Ordem e Progresso” que é inspirada no lema positivista de Auguste Comte “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. Quase esqueci, as estrelas representam mesmo os Estados brasileiros e a quantidade delas passou por alterações ao longo dos anos conforme a quantidade de Estados mudava.

Fontes: Adaptado de Wikipedia

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

História do Café

O Café

O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo todo. Só no Brasil foram consumidas mais de 17 milhões de sacas de café em 2007. Mas nem sempre foi assim. No início, até o ano 1.000 d.C., o café, originário da Etiópia, era usado somente para alimentar os rebanhos durante as longas viagens. Como um estimulante. Conta uma lenda que um dia um pastor da Absínia (atual Etiópia), chamado Kaldi, resolveu levar até um monge conhecido seu, o fruto de uma planta que, segundo ele, deixava o rebanho alegre e disposto quando a ingeriam. O monge intrigado resolveu experimentar uma infusão daqueles frutos amarelo-avermelhados e percebeu que realmente a infusão dos frutos lhe ajudava a ficar mais tempo acordado durante suas meditações. A partir daí o fruto começou a ser utilizado como alimento cru e estimulante, mas ainda demoraria um pouco até que seu uso se disseminasse.Ninguém sabe se essa lenda é verdadeira, mas o fato é que o café começou a ser cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yêmen, Península Arábica. Dali ele foi levado até Constantinopla pelo Império Otomano, local onde foi fundada a primeira cafeteria do mundo, chamada de Kiva Han. No século XIV, quando chegou ao continente europeu, o café era chamado de “vinho da Arábia” pois os árabes lhe chamavam de qahwa, que em sua língua significa “vinho”. Mas o “café torrado como consumimos hoje, só surgiu no século XVI.Não foi difícil a difusão do café no mundo árabe. Uma vez que sua religião não permite o consumo de bebidas alcoólicas, o café passou a ser consumido até mesmo nos cultos religiosos. Desta forma, foram surgindo locais especializados em servir a bebida, principalmente na cidade de Meca, onde logo foram surgindo inúmeras Kaveh Kanes, as primeiras cafeterias.Até o século XVIII o café era considerado uma preciosidade pelos árabes que sabiam de seu potencial e eram os únicos que cultivavam a planta e dominavam a produção da bebida. Mesmo assim, o comércio da bebida ou dos grãos chegou à Europa levada pelos vienenses que fundaram a Botteghe del Caffé, principal responsável pela popularização do hábito de torrar e moer o café. Foram os vienenses também, que inventaram o costume de beber o café coado, adoçado e com leite. O famoso café vienense.Mas, foram os holandeses os primeiros a levar a planta até a Europa e a conseguir cultivar as primeiras mudas, vindas de Mokha na Península Arábica, no jardim botânico de Amsterdã. Foram os holandeses, também que levaram o café para a América do Norte, para a chamada Nova Amsterdã (atual Nova York) e para a Filadélfia. A partir de então, o café se alastrou para o resto do mundo. Primeiro para as colônias holandesas em Java, depois, para Sumatra, e as ilhas francesas de Sandwich e Bourbon, até chegar ao Brasil que se tornaria o maior produtor mundial de café e o segundo maior consumidor.

Bibliografia
(texto retirado da página www.infoescola.com) e apresenta como fonte http://www.abic.com.br

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Juremir Machado da Silva CP 16/01/09

ARTE PEDRO DREHER SOBRE FOTOS CP MEMÓRIA


AEROYEDA OU AEROCRUSIUS
Reis e imperadores não viviam sem as suas carruagens particulares. Era um emblema da glória e do poder. Não é por acaso que em toda cerimônia de posse o presidente chega ao palácio de carroça. No fundo, a democracia republicana requer algum ritual monárquico. Carroça de rei e de presidente é carruagem. Só o cavalo não sabe disso. Cavalo é que nem presidente: nunca sabe de nada. Vai em frente. Certo é que presidentes e governadores precisam de aviões novos. Eu os compreendo profundamente. Ainda mais em tempos de crise financeira mundial e de pessimismo. Nada mais oportuno do que trocar de avião quando a plebe está trocando de emprego. Quer dizer, está trocando a condição de empregado pela de desempregado. É estimulante. Imagino que a primeira medida de Barack Obama, depois de chegar de carroça à Casa Branca, será comprar um avião novo, o aeroobama. Ou aero-obama? Com a reforma ortográfica, convenhamos, ficou mais difícil batizar os aviões dos nossos atribulados donos do poder.Aeroyeda ou aerocrusius? Eis a questão central. Tenho certeza de que o magistério estadual não vai compreender a importância desse ato renovador da governadora. Trata-se de um gesto diplomático relevante. É a primeira vez que a governadora aceita uma sugestão do presidente da República. Ninguém mais poderá alegar falta de diálogo entre os dois ou ausência de boa vontade da governadora com as opiniões e sugestões de Luiz Inácio. Um avião novo, com o preço variando ligeiramente entre 8 milhões e 26 milhões de dólares, só trará benefícios ao Rio Grande do Sul. A governadora poderá chegar com muito mais rapidez às inaugurações que fazem parte da sua rotina. Sem contar que no caso de ter de ir a Brasília defender a prorrogação antecipada dos pedágios, em caráter de urgência urgentíssima pelo bem de todos, a governadora estará livre dos atrasos da Gol e dos sanduíches da TAM. Não fica bem para um governante se misturar com a plebe em voos de linha. Além de ter de comer barrinha de cereais, a autoridade fica exposta ao contato com os eleitores. Já imaginaram ter de explicar a algum professor inconveniente (existem passagens promocionais) a diferença entre piso e salário inicial? Ou ter de justificar que o Estado quebraria com o salário inicial de R$ 950,00 para o magistério, mas não terá suas contas abaladas por um mísero avião de 26 milhões de dólares? Estou com a governadora: ter avião novo é preciso. Eu sou totalmente a favor de avião novo. Acho que cada governador deveria ter também uma limusine. Não, duas: uma branca e outra preta. Preto sempre combina. É isso: cada governador precisa de uma limusine pretinho básico e de um jatinho básico. Tudo pela dignidade do cargo. Quero enfatizar um aspecto: a hora é simbolicamente oportuna. Que sensibilidade! Chego a ficar arrepiado. Que sintonia com a população! Digo mais: a governadora deve encomendar uma pesquisa interativa para definir o nome da seu novo jato? O povo quer participar. Estou entusiasmado.Eu ficaria com 'aeroyeda'. É mais ágil. 'Aerocrusius' parece piada de mau gosto. O criador do nome escolhido ganharia uma viagem a Brasília, com a governadora, a bordo da nova aeronave. Se tem uma coisa inaceitável em presidente da República ou em governador, de quem esperamos modernidade e competência, é avião velho. Agora vai. Com avião novo o governo decola.


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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Coluna de Juremir Machado da Silva - CP 13/01/09

A ENCENAÇÃO DO ‘FICO’
O ano de 2009 promete: a secretária estadual da Educação, Mariza Abreu, declarou que para o bem geral do povo gaúcho fica no posto. Ufa! O Rio Grande do Sul não sabe se chora ou se ri. Na dúvida, fará as duas coisas ao mesmo tempo. Mariza Abreu poderia ter virado um Jânio Quadros, que ameaçou sair para voltar nos braços do povo e acabou desempregado. Virou dom Pedro I. O nosso imperador por empréstimo de bobo não tinha nada. O seu 'fico', lançado em 9 de janeiro de 1822, não passou, segundo muitos historiadores, entre os quais o gaúcho Riopardense de Macedo, de uma encenação. A frase recitada pelo jovem Pedro fazia parte de uma jogada ensaiada: 'Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico'. Ficou e, passada a independência do Brasil, fez tudo errado e da maneira mais autoritária possível. Pedro I ouvia pouco e falava muito. Tratou de se livrar dos que postulavam uma monarquia mais liberal e impôs a sua Constituição.O 'fico' de Pedro I foi dirigido a membros da elite que desejavam a sua permanência no Brasil, contrariando as ordens vindas de Portugal. Esses formadores de opinião repassaram a frase ao povo. José Clemente Pereira, o mesmo que, 20 anos depois, daria todas as condições para Caxias esmagar a Revolução Farroupilha, foi quem orquestrou a situação e conduziu a massa. Mariza Abreu disse que só ficaria se a sociedade lhe desse apoio. Os comentaristas do diário oficial da província vibraram com a sua permanência e juraram que o tal apoio foi dado. Por quem? Não se viu um só professor, um só aluno, um só pai ou mãe clamando pelo 'fico' da mais nova encarnação de dom Pedro I. O apoio capaz de manter a secretária no cargo deve ter vindo das encarnações atuais de José Clemente Pereira. Afinal, nos tempos que correm, o magistério é o novo vilão da novela. Os professores são a Flora do nosso Pedro I. Se não forem controlados, acabará o déficit zero e o final feliz sonhado pelo governo irá para o exílio.Os atrasados que se imaginam modernos já começaram com o discurso anacrônico da caça às bruxas. O plano milagroso da nossa Pedro I consiste em aumentar a produtividade do magistério sem lhe aumentar os ganhos. Faz sentido. Professor trabalha pouco e ganha muito. Nada mais fácil do que segurar uma galera sossegada em escolas tranquilas, sempre bem aparelhadas e com todo o tempo do mundo remunerado para preparar as aulas e corrigir os trabalhos em casa. É o que eu sempre digo: professor só cria problema. Tem ainda a questão dos inativos. O ideal para os administradores modernos é desvincular salários de ativos e inativos. Assim, os aposentados podem chafurdar na miséria e na defasagem salarial sem correções paternalistas. Quem mandou não terem poupado uma boa parte dos altos proventos auferidos quando estavam em atividade?Nós, professores, somos um bando de preguiçosos, bem pagos e com baixa produtividade. Ameaçamos constantemente o equilíbrio financeiro do Estado. Não damos retorno. Somos um investimento a fundo perdido. Quer dizer, não somos investimento. Ainda bem que dona Pedro I vai nos outorgar uma carta de princípios rigorosa e exemplar. Nisso tudo, descontados os radicalismos, uma coisa é certa: a imprensa régia ficará com Pedro I até o fim.
juremir@correiodopovo.com.br